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EXPOSIÇÃO

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Quero dizer que ser responsável pela concepção dessa exposição do Museu do Vaqueiro foi, antes de tudo, uma tarefa de desafio e grande prazer.

A nossa primeira intenção foi retirar o vaqueiro da visão de estereótipo, trazendo-o para o campo  do universal. Extraindo-o do lugar onde comumente a norma culta o coloca, isto é, isolados das sociedades  contemporâneas, como se eles fossem sujeitos que vivessem a parte, isolados. Um vaqueiro em todos os tempos é universal, regional e singular ao mesmo tempo. O de ontem ou de hoje guardam especificidades próprias. Assim, a exposição elegeu tanto o vaqueiro romântico da literatura, o dos tempos “de nunca-mais” como também o vaqueiro de hoje;  numa tensão entre esses mundos e usando prioritariamente a linguagem da arte. As referências culturais, antropológicas e sociais fomos buscar na obra de Oswaldo Lamartine e Câmara Cascudo.

Assim, a porta imaginária aberta para a exposição teve a proposta de ser mágica, festiva, histórica, poética, árida e mítica; foi construída de rotas de vida, evocando também a música que vem das sanfonas, das violas ou das rebecas, das cantorias ou prosas. Caçamos trilhas para vaguear nos corações dos que amam o sertão. Nada foi pensado apartado da vida, por isso pode até parecer estranho, vivo, triste, feliz, espantoso, irresistível e resistente.

A estética gráfica e a própria cenografia não poderiam ter outra inspiração a não ser o próprio sertão barroco.

Dividimos a exposição em seis percursos: A exposição começa na própria varanda da casa. Nela utilizamos painéis com fotografias e textos informando sobre a Fundação Museu do Vaqueiro, a própria arquitetura da casa e a família que nela viveu, um texto também onde expressa o pensamento curatorial da exposição. Na primeira sala- 01, na entrada, um dos painéis contextualiza brevemente o “caminho do gado” no Rio Grande do Norte, a partir de um trabalho de pesquisa da arquiteta Natália Diniz, sobre as Casas de Fazenda no RN.  Na sala 02 compomos o Vaqueiro e seus objetos de uso no próprio corpo e no cavalo. Na sala 03 realçamos a literatura, as artes plásticas e a música dentro da cultura do vaqueiro a partir de fragmentos da obra de grandes mestres como: Oswaldo Lamartine, Câmara Cascudo, Newton Navarro e Luiz Gonzaga e Fabião das Queimadas.

Na sala 04 e 05, ensaios fotográficos e memória das últimas vaquejadas no local, além de referências e elementos da cozinha de uma casa de vaqueiro. Não esquecemos a fé, criamos  um recanto em homenagem a Nossa Senhora Sant’Ana ( muitos indicam como protetora dos Vaqueiros).

A linguagem da fotografia foi prioritária e escolhi alguns trabalhos meus e  de fotógrafos como Hugo Macedo, Raimundo Neto e Candinha Bezerra. A luz foi assinada por Ronaldo Costa.

Sintam-se assim, companheiros convidados a visitarem o Museu do Vaqueiro, onde esse Fausto Sertanejo (o Vaqueiro) é tocado como qualquer um de nós pelas contingências da vida, isto é, pelo amor, pela alegria, as certezas e incertezas, o medo e a tristeza, a dor e a solidão, a vida.

 

Curadora: Angela Almeida

 


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